Artesã usa planta aquática para fazer peças

Escrito por Coordenação do Site Ligado .

Por Guilherme Said

Catarina Ramos da Silva é uma artesã de 61 anos que utiliza o artesanato como ferramentas de trabalho e transmissão da cultura pantaneira. Essa senhora tão envolvida com a atividade artesanal que realiza, veio da Ilha de Ínsua, da tribo Guató, e tem uma história de dedicação com a cultura local. Foi trançando fibras de camalote – planta aquática típica do Pantanal sul-mato-grossense – que dona Catarina criou cinco filhos. Quem lhe ensinou o ofício foi a sogra e hoje ela repassa os ensinamentos que aprendeu para outras pessoas.

A artesã faz parte da Cooperativa Vila Moinho, projeto social do Instituto Homem Pantaneiro, IHP, que tem como objetivo contribuir para a geração de renda e aumento da qualidade de vida das famílias de baixa renda de Corumbá e Ladário em Mato Grosso do Sul e cidades fronteiriças da Bolívia.

O IHP conta com o apoio institucional do Ministério da Cultura e tem o reconhecimento da UNESCO na condição de um dos projetos sócio-culturais de relevância para o País.

Foi no Instituto que a índia encontrou uma oportunidade de ministrar oficinas de artesanato com fibras de camalote, nas quais oferece noções de todo o processo artesanal de técnica indígena que envolve essa forma de arte.

CatarinaO processo de fabricação dessas peças começa logo cedo. Por volta das 6h da manhã, ela vai de canoa para o rio Paraguai recolher o camalote. Após a retirada, começa o trabalho de secagem. Os pés das plantas são lavados e em seguida colocados para secar. São necessários, no mínimo,  três dias de secagem para então começar a dar forma aos produtos artesanais. Tudo é trançado e depois costurado. Para as peças ficarem mais resistentes, dona Catarina passa cera de abelha na linha, antes de costurar, assim os artesanatos podem até ser lavados. Algumas peças demoram, em média, uma semana para ficar prontas, por isso o trabalho exige paciência e dedicação.

A parte mais trabalhosa de todo o processo é o trançado. A fibra deve ser presa ao pé com a perna esticada na horizontal, se a perna ficar dobrada, a trança sairá torta. Um segredo para o camalote ficar mais macio é deixá-lo sob o sereno. Além disso, a planta deve ser colhida somente na lua minguante por possuir algumas fibras cor-de-rosa.

Com criatividade, das tranças surgem chapéus, tapetes, cestos de roupas, bolsas, cintos, chaveiros, gargantilhas e colares. Tudo depende da inspiração e da necessidade. O abanador, por exemplo, surgiu para facilitar o trabalho das mulheres na aldeia. Dona Catarina e uma amiga criaram a peça para limpar o arroz antes do cozimento. “A gente coloca o alimento ali dentro, sacode e todas as cascas saem”.

Os preços dos artesanatos variam de R$ 5 a R$ 400 e podem ser adquiridos por encomendas através da Loja Fazeres e Saberes do Instituto Homem Pantaneiro.

Para mais informações: 67 3231-8436.

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Suzana Rozendo